As romãs emergem com presença absoluta sobre um amarelo vibrante, como se brotassem da própria luz. Não estão apenas dispostas no espaço — elas afirmam existência. O fundo intenso irradia calor, expansão e energia vital, criando um campo onde o olhar repousa e, ao mesmo tempo, é provocado.
Símbolo ancestral de força, fertilidade e abundância, o fruto se revela aqui em sua potência máxima. Cada romã carrega em si a ideia de multiplicidade, de interior rico e pulsante, de vida que se expande para além da superfície. Nada é contido: tudo transborda.
Com pinceladas precisas e contrastes luminosos, a artista transforma matéria em sensação. A cor não serve apenas à forma — ela vibra, aquece, atravessa. O diálogo entre luz e densidade cria um equilíbrio delicado entre intensidade e controle, impulso e intenção.
A técnica mista com giz pastel oleoso confere textura, profundidade e um certo gesto orgânico, quase táctil. As camadas se constroem de maneira sensível, revelando marcas do processo e do tempo. O fazer permanece visível — nada é escondido.
A moldura artesanal completa a obra como extensão do próprio trabalho, reforçando o caráter único e autoral da peça. Não é apenas um contorno, mas parte da narrativa: sustenta, protege e dialoga com o que está dentro.
Uma obra que celebra o calor, a vida e a abundância.
Que não pede silêncio — pede presença.